Tudo sobre Fundos de Investimento: Como escolher e investir

Se você vai comprar um computador, o que é que você faz para saber qual é o melhor produto? Geralmente, quando se trata de uma mercadoria um pouco mais complexa, precisamos recorrer à opinião de pessoas que entendem melhor sobre o assunto. Ler comentários em blogs, pesquisar sobre as marcas mais consistentes, ouvir a opinião de outros consumidores, dentre outras medidas, pode tornar a escolha bem mais fácil. Outro ponto importante da decisão é o preço, além das necessidades individuais de cada pessoa.

Esse exemplo, mais próximo do nosso cotidiano, é um bom ponto de partida para quem está na dúvida sobre como escolher um fundo de investimento. Assim como no caso da compra de um computador novo, a decisão requer um pouco mais de conhecimento sobre as opções disponíveis e também sobre o que você espera do investimento. No mercado, existem mais de 10 mil opções de fundos de investimento, o que pode deixar qualquer pessoa confusa. Contudo, é possível, com organização e cautela, fazer a escolha certa.

Para facilitar a vida dos investidores iniciantes, listamos alguns dos principais pontos que devem ser observados em relação à escolha de um fundo de investimentos. Quem não tem um domínio grande do assunto pode ficar confuso no começo, mas garantimos que, ao final da leitura, você vai saber mais claramente o que é necessário para começar a investir seu dinheiro. A lista se baseia nas orientações do economista Felipe Medeiros no site melhoresfundos.com.

Prazos dos Fundos de Investimento

Fundos de Investimento

Fundos de Investimento

O prazo é um aspecto muito importante a ser considerado pelo investidor. Para tanto, é necessário pensar por quanto tempo você pretende investir aquele valor ou, melhor ainda, quando é que você vai usar o valor arrecadado com a aplicação. Se, depois desta análise, você optar por um investimento de curto prazo, o ideal é excluir os fundos de alto risco, como, por exemplo, os Fundos de Investimento em Ações (FIA). A lógica é bem simples: os riscos se tornam ainda mais elevados quando o prazo de investimento é muito curto. Mesmo que uma aplicação mais arriscada possa ser mais rentável em 1 ano, os riscos não valem essa possibilidade de ganho.

Por outro lado, o investidor que está disposto a deixar o dinheiro aplicado por 20 ou 30 anos, como nos casos de planejamentos para aposentadoria, deve evitar os fundos muito conservadores. Seguindo a mesma lógica anterior, a longo prazo, os riscos de um investimento mais ousados podem garantir boa rentabilidade. Fundos como CDI, IMA-B ou Ibovespa apresentam melhores resultados que os fundos Referenciados DI, que têm risco reduzido. Vale destacar que, quando esses prazos não são tão extremos, a escolha do fundo deve ser baseada nos demais fatores.

Objetivos do Investidor

Como dissemos no início do texto, as necessidade de cada pessoa são fundamentais para essa decisão. O investidor que pretende adquirir um imóvel para morar, por exemplo, tem um perfil bem diferente de alguém que pretende apenas ganhar dinheiro sem um objetivo final. Na situação da compra da casa, o prazo para acumular o montante necessário costuma ser um pouco mais longo. Então, o planejamento pode incluir aplicações de risco mais alto no início, para acelerar os rendimentos, tendendo a uma redução com o passar dos anos, até chegar ao risco mínimo quando o objetivo final for atingido. Já no caso do investidor que não tem um interesse específico com a aplicação, tem menos compromissos e, por isso, mais possibilidade de arriscar. Uma boa dica para quem tem uma necessidade é calcular o quanto será preciso acumular durante o período de investimento. Como você pode notar, esse ponto tem profunda relação com o anterior, pois os prazos irão variar conforme o objetivo de cada investidor.

Perfil de Risco

Aliás, todos os tópicos dessa lista são bem próximos. Já comentamos sobre os riscos nos pontos anteriores, mas agora vamos tratar mais especificamente do perfil de risco do investidor. Os especialistas geralmente aplicam 4 categorias para tratar desses perfis. São elas:

  • Conservador
  • Moderado
  • Arrojado
  • Agressivo

Dá pra perceber que os perfis variam de acordo com a disponibilidade para correr riscos. É importante destacar que não existiu um modelo de investidor correto. Isso vai depender de como a pessoa lida com as perdas e os ganhos. Para se enquadrar em um desses perfis, é importante observar, no dia a dia, se você é do tipo que se predispõe a correr riscos ou prefere escolhas mais seguras. Lembre-se que optar por um investimento que não condiz com o seu perfil pessoal pode ser bastante prejudicial para o sucesso da aplicação.

Perfil de Risco do Investidor

Perfil de Risco do Investidor

A questão dos perfis também se relaciona bastante com os prazos. Com foi dito, investimentos de curto prazo devem ser mais conservadores, enquanto os de maior duração podem ser mais agressivos. Por isso, a idade do investidor conta muito quando pensamos o seu perfil de risco. Com o passar dos anos, torna-se necessária uma postura mais conservadora, voltada para a conservação dos bens adquiridos. Um investidor jovem, por outro lado, tem mais abertura para lidar com os riscos, uma vez que suas perdas são menores.

Tipos de Fundos

De acordo com a categorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), existem no Brasil 5 tipos principais de fundos de investimento. São eles:

  1. Fundos Referenciados-DI
  2. Fundos de Investimento em Renda Fixa (FIR)
  3. Fundos de Investimento Multimercado (FIM)
  4. Fundos de Investimento Imobiliário (FII)
  5. Fundos de Investimento em Ações (FIA)

Na lista, os fundos estão relacionado em ordem crescente de risco, ou seja, os fundos referenciados são os mais conservadores, enquanto as ações são as mais arriscadas. Dentro desses tipos, podem haver diversas outras subdivisões, ajudando o aplicador a comparar fundos parecidos. No entanto, para quem está começando, essas categorias já servem de base, uma vez que agrupam os tipos de aplicação de forma mais geral.

Rentabilidade

O aspecto que mais chama a atenção do investidor é a rentabilidade. Em relação aos outros pontos, ele tende a ser um pouco mais objetivo. Mas não se engane pensando que os números tornam tudo mais fácil. Na verdade, o cálculo para compreensão da rentabilidade de um fundo é complexo e precisa levar várias coisas em consideração.

Ao analisar a rentabilidade e os riscos de um fundo, é essencial que o investidor observe as oscilações que ele sofreu historicamente. Nesse sentido, é importante ver as perdas que o fundo teve nos últimos anos, assim como dados sobre sua volatilidade. Se você observa apenas a rentabilidade mensal ou anual do investimento, pode deixar passar batido as pequenas quedas que ocorreram em curtos espaços de tempo.

Outro fator importante é a consistência dos resultados apresentados. Um fundo que tem excelentes rendimentos no primeiro ano, mas só sofre quedas nos anos seguintes, pode até obter uma boa média de rentabilidade, mas não tem consistência e se torna muito arriscado.

Investimento Mais Seguro

Investimento Mais Seguro

Volatilidade

A volatilidade está diretamente relacionada com a rentabilidade e os riscos. Como foi dito no tópico anterior, esse é um dos quesitos que mais pode prejudicar um investidor pouco acostumado com o mercado. Quando um fundo tem bons resultados, alta rentabilidade e consistência a longo prazo, é comum que se acredite que ele é uma ótima opção. No entanto, mudanças rápidas, que ocorrem em curto espaço de tempo, podem pegar o aplicador de surpresa.

Falando mais concretamente, os Fundos Referenciados DI têm volatibilidade baixíssima, em torno de 0,10%; já os fundos do tipo IMA-B apresentaram volatilidade média de 5% nos últimos 5 anos; a Ibovespa obteve média superior a 20% com picos de até 300%. Isso quer dizer, como já foi mostrado antes, que os fundos DI são bem menos arriscados, diferentemente dos fundos de ações. Esse dados devem ser levados em consideração pelo aplicador, com base no seu perfil de risco.

Taxas e Outros Custos

Para além das oscilações na rentabilidade, é importante que investidor esteja de olho nos custos de cada fundo. Por mais estranho que pareça, o fundo de menor custo não é necessariamente o melhor. Na verdade, existem cobranças positivas que estão relacionadas ao ganho do investidor.

Em resumo, existem duas taxas principais que são cobradas pelos fundos: a taxa de administração e a taxa de performance. Pagar qualquer tipo de taxa nunca parece uma vantagem, mas, no que diz respeito a investimentos, a taxa de performance pode ser vista como boa, enquanto a taxa de administração é bem negativa.

Vamos entender um pouco melhor cada uma delas. A taxa de administração, como o próprio nome indica, se volta para a administração interna do fundo, como pagamento dos funcionários, tributos relacionados ao investimento e outros custos que servem para a manutenção interna da aplicação. Por isso, não vale a pena pagar uma tarifa muito alta de administração, uma vez que esses custos não são revertidos em lucro para o investidor.

A taxa de performance, por outro lado, é uma forma de premiar o gestor do fundo quando ele cumpre sua meta e supera o benchmark fixado para a aplicação. Para que fique mais claro, essa taxa funciona como uma espécie de comissão para o gestor que faz bem o seu trabalho. Assim, a ela pode ser considerada como positiva, pois além de estar diretamente relacionada com os ganhos, também serve de incentivo para que o gestor se empenhe na busca de aumentar o lucro do investidor.

Uma dica para os iniciantes é sempre evitar os fundos que oferecem isenção da taxa de performance e uma taxa de administração elevada. O inverso, no entanto, é um bom parâmetro para que você se decida pelo melhor investimento.

Gestão do Fundo

O investimento em qualquer fundo depende de intermediação. Por isso, é fundamental escolher com cautela qual será a empresa que ficará responsável por cuidar dos seus investimentos. Esse não é exatamente um ponto preponderante da decisão, mas precisa ser levado em consideração. O primeiro passo é pesquisar as opções existentes e escolher marcas conhecidas no setor, que contam com boa estrutura e bons profissionais na atuação.

Uma dúvida comum é a decisão entre os serviços oferecidos pelos bancos e as empresas independentes. O banco tem a facilidade de já possuir um contato com o cliente e acaba sendo a opção de muitos investidores. Porém, essa comodidade pode levar uma acomodamento do gestor em relação ao investimento, tornando-o menos lucrativo. A empresas independentes, nesse comparativo, precisam “mostrar serviço” para garantir a clientela. Por essa razão, pode apresentar melhores resultados e mais compromisso na gestão do fundo. Isso não quer dizer que os bancos são sempre ruins, mas sim que o investidor deve estar atento e comparar as opções.

Último Passo

Agora que você já conhece melhor cada um desses pontos, a escolha certamente ficará mais fácil. O que sugerimos, como primeiro passo, é que você procure os sites comparativos, veja os números, analise gráficos e comece a pensar em todas as questões aqui colocadas.

Se mesmo assim, você se sentir inseguro para começar a investir, talvez seja hora de procurar uma assessor de investimentos que possa lhe ajudar nessa tarefa. Outra possibilidade são cursos voltados para investidores, que esclarecem sobre o funcionamento dos fundos de investimento. Muitos são oferecidos na própria internet!


RSS por email

Deixe sua opinião “Tudo sobre Fundos de Investimento: Como escolher e investir

Regras para comentar

Os comentários são moderados e não serão aceitos ou respondidos sem cumprir as regras abaixo:

  1. Leia o artigo e os comentários para saber se sua questão já não foi respondida.
  2. Não respondemos por nenhuma empresa, sendo assim, não enviamos propostas ou damos suporte.
  3. Não faça propaganda.
  4. Comentários mal escritos, com erros e deselegantes, não serão aceitos.
  5. Não divulgue seus dados pessoais, como documentos, telefone, endereço etc, pois eles estarão vulneráveis.