Como Investir em uma Cooperativa de Crédito

Funcionamento das operações financeiras

Estamos tão acostumados a lidar com o sistema financeiro bancário que é difícil entender o funcionamento de outros sistemas. Para que a ideia fique mais clara, vamos pensar em um exemplo prático.

Um modelo de cooperativa bem comum vem dos produtores de leite. Há algum tempo, esses produtores notaram que unidos eles poderiam organizar melhor o processo produtivo e as vendas do leite. Assim, surgiram as cooperativas do setor. O dinheiro investido por um produtor na cooperativa é usado para aprimorar a produção de leite da região, para oferecer empréstimos a outros produtores e possibilitar o acesso dos associados a diversos serviços financeiros.

Dessa forma, é possível compreender que as operações financeiras são garantidas pelo investimento dos próprios associados. Nas cooperativas de crédito, tudo é uma questão de administração dos recursos para possibilitar ganhos equitativos entre os membros daquela comunidade.

No caso dos produtores de leite, a associação pode aumentar a viabilidade econômica da produção. Além disso, é possível que a organização e gestão comunitária dos recursos possibilite melhores remunerações para os produtores. Isso faz com que vários ramos de produção procurem se organizar em cooperativas. Setores como educação, transporte, saúde, trabalho, agropecuária e outros também são conhecidos por grandes organização de auxílio mútuo e cooperativas de crédito.

A união faz a força

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Tipos de Cooperativas de Crédito

Sabendo que as cooperativas podem ser mais vantajosas, é possível que você leitor esteja pensando em como se associar a uma delas. Para ajudar neste ponto, listamos os principais tipos de cooperativas de crédito existentes hoje no Brasil. Veja se você tem perfil para se enquadrar em um desses modelos e procure saber se existem cooperativas ligadas à empresa onde você trabalha ou ao seu ramo de atuação.

  • Cooperativas de crédito mútuo de empregados: são constituídas trabalhadores de uma empresa pública ou privada com atividades semelhantes ou afins;
  • Cooperativas de crédito mútuo de profissionais liberais: são constituídas por trabalhadores liberais que exercem uma profissão devidamente regulamentada, como médico, advogados ou contadores. Esse tipo de organização também é possível para profissionais que atuam em atividade especializada, como pedreiros, encanadores, eletricistas, ferramenteiros e etc. Há ainda as cooperativas formadas por trabalhadores de áreas próximas, como arquitetos e engenheiros;
  • Cooperativas de crédito rural: como o próprio nome indica, esse tipo de cooperativa é formada por pessoas que atuam no setor agrícola (pecuária, extrativismo, pesca e etc.). Geralmente, diferentes formas de atuação formarão associações diferentes, como o exemplo que demos dos produtores de leite;
  • Cooperativas de crédito mútuo de empreendedores: o micro-empreendedorismo vem crescendo no Brasil e as cooperativas são boas formas de aperfeiçoar o setor. Esse tipo de associação é formado por micro e pequenos empresários que atuem no ramo industrial, comercial ou de prestação de serviços, respeitando os limite de receita bruta anual (entre R$244 mil e R$ 1 milhão e 200 mil);
  • Cooperativas de crédito de livre admissão de associados: até agora, o que reunia os membros das cooperativas era a atividade desempenhada. Já no último tipo, a associação é constituída com base na delimitação geográfica. Na prática, o modelo permite que qualquer grupo de pessoas se organize em uma cooperativa, seguindo as normas fixadas pelo Banco Central e pela Lei das Cooperativas. Durante muito tempo, esse tipo de organização foi proibida no Brasil, sendo regulamentada definitivamente pela Resolução nº3.106, publicada pelo Banco Central em 2003.

Além dos tipos mencionados, existem também as cooperativas do tipo misto, que combinam critérios de dois ou mais modelos mostrados acima. Algumas organizações atuarão em diferentes frentes dependendo da região e das necessidades específicas daquela comunidades.

Devo me associar a uma cooperativa para investir?

A melhor maneira de investir em uma cooperativa de crédito é se associando. Para tanto, é necessário atender aos critérios dos tipos já mencionados, ou seja, estar dentro de uma determinada área de atuação no mercado ou morar em uma região com uma cooperativa em funcionamento. Quem já é sócio ou cumpre os pré-requisitos para se associar, pode investir diretamente na Cooperativa de Crédito, conforme os serviços disponibilizados pela mesma. Alguns investimentos disponíveis são:

  • Caderneta de poupança;
  • Renda Fixa, sobretudo CDB e LCA;
  • Fundos de investimento em ações, renda fixa e multimercados;
  • Fundos exclusivos (específicos para o financiamentos da produção da cooperativa);
  • Previdência.

Dependendo da cooperativa e das condições de investimento, o associado poderá se beneficiar com a isenção de taxas de administração e outras tarifas, além de contar com a possibilidade de realizar investimentos exclusivos. Como já comentamos antes, isso faz com que o investimento em cooperativas para associados tenda a ser mais vantajoso que aplicações semelhantes feitas em bancos e, em muitos casos, mais rentáveis também.

Investimentos para não associados

Investimento em Cooperativas

Investimento em Cooperativas

Algumas cooperativas também permitem que não associados façam investimentos na cooperativa, como forma de obtenção de recursos. Nesses casos, geralmente são liberadas as aplicações na poupança, renda fixa e fundos de investimento não exclusivos. Os atrativos para esse público podem ser menores, mas, ainda assim vale a pena conferir se os rendimentos não serão mais interessantes na cooperativa que no banco.

Uma dica para quem está pensando em investir nas cooperativas de crédito é conhecer bem o mercado produtivo do lugar onde você vive. Assim, se você vive em uma região onde o setor agrário é bastante desenvolvido ou está em amplo crescimento, vale a pena apostar em uma cooperativa especializada no mercado agrícola. A mesma lógica vale para regiões mais industrializadas ou onde prevalece a prestação de serviços. Esse conhecimento costuma garantir melhores remunerações para o investimento feito, além de segurança.

Lembrando que as cooperativas de crédito não podem obter lucro, os fundos de renda fixa são excelentes investimentos. O rendimento é repartido proporcionalmente entre os associados que investiram, diferentemente do que acontece nos bancos. Sendo assim, é quase certo que a aplicação renda mais nas cooperativas. Porém, muitos investidores podem pensar: mas será que é seguro aplicar meu dinheiro em uma organização não bancária?

É seguro investir em cooperativas?

A resposta para esta pergunta, de modo simples, é sim. Nos investimentos tradicionais, o Fundo Garantidor de Créditos é responsável por assegurar aos investidores que, em caso de falência ou problemas graves na instituição financeira, ele receberá um reembolso. As cooperativas de crédito contam com uma esquema semelhante. Através do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), o dinheiro aplicado nas cooperativas também é protegido. O valor máximo de cobertura do fundo é de R$250 mil, ou seja, esse é o máximo a ser reembolsado na impossibilidade de recebimento da aplicação. Com isso, a segurança das aplicações feitas em cooperativas de crédito se torna equiparável aos principais bancos, principalmente quando se conhece a solidez da organização de auxílio mútuo.

Algumas Conclusões

Agora que você conhece um pouco mais sobre o funcionamento das cooperativas de crédito e sobre a possibilidade de investir nelas, é hora de refletir a respeito da questão principal: será que esse é o investimento ideal para mim? A resposta para essa pergunta não pode ser rápida. O ideal, como sempre indicamos, é procurar informações diversas, comparar os rendimentos oferecidos com os de bancos e corretoras, conhecer a cooperativa de um modo geral e, sobretudo, pensar bastante antes de tomar qualquer decisão. Como mostramos, esse tipo de investimento é assegurado pela FGCoop e pode ser mais vantajoso, principalmente para os associados. No entanto, isso não significa que a escolha é certeira. A decisão vai depender das suas necessidades e possibilidade de investimento.


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